Tumores benignos e malignos

Frequentemente os médicos são questionados pelos pacientes após o diagnóstico de um câncer, se o mesmo é benigno ou maligno. Inicialmente é preciso esclarecer que todo câncer é maligno. Não existe o termo câncer benigno, mas sim, tumor benigno que, no caso, não é câncer.

Mas, qual é a diferença entre um tumor maligno (câncer) e um tumor benigno? A grande virtude de um tumor maligno, transformada em preocupação para os médicos, é a capacidade de desenvolver metástases. Estas constituem em disseminação da doença para órgãos distantes de onde o câncer surgiu. Sem dúvida, esta é a grande barreira a ser vencida. Se não existissem as metástases, bastaria remover o tumor primário e 100% dos pacientes ficariam curados.

A disseminação da doença pode ocorrer através do sangue, quando é chamada de via hematogênica, ou pelo sistema linfático. As metástases podem estar presentes já no diagnóstico, ou surgirem meses ou anos após a retirada do tumor inicial. Quando surgem tardiamente, caracterizam uma recaída da doença e resultam de células cancerígenas remanescentes que permaneceram no sangue ou outros órgãos, principalmente fígado, pulmão e sistema esquelético.

Com o objetivo de reduzir o desenvolvimento de metástases tardias e aumentar os índices de cura, comumente administramos uma quimioterapia conhecida como adjuvante ou preventiva. Paradoxalmente, este tratamento é realizado quando após a retirada cirúrgica do tumor primário, não encontramos doença sistêmica visível, pois o objetivo é eliminar algo que ainda não foi detectado. Esta conduta terapêutica resulta em maiores possibilidades de cura, especialmente no câncer de mama, cólon, reto, pulmão e estômago.


Telefone celular e câncer cerebral

Após a avaliação detalhada de todas as publicações sobre o assunto, realizada por um painel de 30 especialistas que compõem o IARC (International Agency for Research on Cancer) a Organização Mundial da Saúde classificou o uso de telefone celular como possivelmente implicado na causa de tumores cerebrais. No entanto, precisamos prestar muita atenção neste alerta que diz: depois da análise criteriosa  dos dados disponíveis, que consistem basicamente de estudos epidemiológicos, considera-se que é possível que o uso do celular cause câncer, mas não se pode afirmar isto como uma verdade comprovada, nem recomendar que não se use mais o aparelho.

Como interpretar esta informação:

- Não há nenhum dado novo que comprove que celular cause câncer;
- Este comunicado não é uma recomendação para abandonarmos o celular;
- Como tudo em medicina, excessos são sempre danosos. Isto vale para a obesidade, álcool e tabagismo, podendo valer também para o celular;
- Para quem necessita usar o telefone com muita frequência,  procure usá-lo com fone de ouvido e microfone acoplados ao aparelho por um cabo e mantenha o celular longe da cabeça. (Lancet Oncology)


Dr. Marcelo Luis Dotto
Oncologista Clínico
Cremers 21297

Texto originalmente publicado no jornal Gazeta do Sul, do dia 05/09/2011

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