Cistos do fígado

 

Com o uso crescente de exames de imagem, especialmente a ecografia, temos nos deparado frequentemente com lesões císticas do fígado. Os cistos hepáticos podem ser encontrados em dois entre cada 10 adultos que realizam algum exame de imagem do fígado, a imensa maioria sem causar sintoma algum.

O tipo de cisto hepático mais comum é o chamado cisto simples, que geralmente é pequeno (menor que 5 cm) e raramente desenvolvem alguma complicação, como sangramento ou infecção. Nos casos em que atingem grandes volumes (podem ter mais de 20 cm de diâmetro) podem comprimir órgãos vizinhos, como o estômago, duodeno ou cólon. Como se trata de uma doença benigna, sem risco de transformação maligna, só necessitam tratamento quando produzem algum sintoma.

Entretanto nem todos os cistos do fígado têm um comportamento tão benigno. Cistos hepáticos podem representar doenças pré-malignas ou malignas. O cistoadenoma hepático tem características parecidas com o cisto simples, porém representa uma doença distinta, com maior potencial de complicações (infecção, sangramento, comunicação com canais biliares), incluindo o risco de desenvolvimento de um tumor maligno (cistoadenocarcinoma).

Portanto, essa doença deve ser tratada cirurgicamente logo que diagnosticada. Porém o diagnóstico diferencial com outros tipos de cistos muitas vezes é complexo. Além do cistoadenocarcinoma, mais raramente outros tumores malignos podem se apresentar na forma de lesões císticas, especialmente alguns tipos de metástases (tumores secundários do fígado).

Outro tipo de cisto hepático é o cisto hidático, causado por um parasita bastante frequente no Sul do Brasil. A transmissão se faz pela ingestão oral do parasita através de alimentos ou água contaminados, ou mesmo pelo contato direto com cães portadores do parasita. Os cistos hidáticos podem crescer e causar sintomas pelo volume, pelo comprometimento dos canais biliares com consequente infecção, por obstrução biliar ou mesmo pela ruptura para dentro do abdomen. Assim, preferencialmente o tratamento dos cistos hidáticos é cirúrgico, ou eventualmente através da esterilização do cisto através de tratamentos percutâneos, orientados por radiologia.

Em suma, a identificação de lesões císticas no fígado na maioria das vezes não exigirá tratamento algum, entretanto é muito importante que seja feito o diagnóstico preciso do tipo de cisto. Em geral a ecografia é suficiente para classificação adequada, mas dispomos de uma série de outros exames, incluindo exames de imagem, de sangue e do líquido do cisto (coletado através de punção) que podem ser utilizados de acordo com a suspeita inicial.

Dr. Silvio Balzan
Cirurgia de Fígado, Vias Biliares e Pâncreas
CREMERS 21015

Texto originalmente publicado no jornal Folha do Mate, no dia 17/12/2011.

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